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Campus Ouro Preto oferece curso gratuito sobre Geopolítica Palestina

Curso de extensão on-line é ministrado por professor em pós-doutorado na unidade e propõe uma análise crítica além das narrativas midiáticas
publicado: 22/12/2025 17h54, última modificação: 23/12/2025 10h06

O Campus Ouro Preto está promovendo o curso de extensão “Geopolítica palestina para além dos discursos midiáticos”, uma formação gratuita com carga horária de 30 horas, voltada a todos os interessados na temática da geopolítica palestina. Realizado entre dezembro de 2025 e o próximo mês de março, o curso busca analisar as relações entre israelenses e palestinos, com ênfase na histórica assimetria de poder, na ocupação territorial e no papel das narrativas midiáticas na formação da percepção pública sobre o conflito. 

O curso é ministrado pelo professor Francisco Fernandes Ladeira, que atualmente desenvolve pós-doutorado no campus, no âmbito do Mestrado Profissional em Ensino de Geografia em Rede Nacional (ProfGEO). Sua pesquisa de pós-doutorado está relacionada à análise dos imaginários geopolíticos e das representações midiáticas sobre a Palestina, tema que fundamenta a proposta da formação extensionista.

De acordo com o professor, o propósito principal é estabelecer um contraponto crítico ao discurso midiático hegemônico, amplamente favorável ao Estado de Israel. Como há muitos professores participando, o docente também espera que eles levem, para a sala de aula, uma postura mais questionadora em relação aos discursos geopolíticos da mídia. "Evidentemente, cada professor respeitando as características dos alunos e não buscando impor seu ponto de vista", destaca.

Metodologia

O conteúdo está estruturado em duas partes complementares. Inicialmente, aborda a Geopolítica Palestina a partir de uma perspectiva histórica e geográfica, contemplando os primeiros registros do nome “Palestina”, o surgimento do movimento sionista no século XIX, o plano de partilha proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1947, a declaração de independência de Israel, a ampliação do território israelense sobre a Palestina histórica e os desdobramentos contemporâneos do conflito, com destaque para a situação na Faixa de Gaza.

Na segunda parte, o curso dedica-se à análise crítica dos discursos da grande mídia brasileira, examinando os principais mecanismos de manipulação presentes na construção de narrativas favoráveis a Israel e que, por outro lado, tendem a invisibilizar ou silenciar a perspectiva palestina. Com base em bibliografia especializada e no referencial da Geografia crítica, são discutidos e desconstruídos maniqueísmos, tipificações, adjetivações e personalizações recorrentes nas linhas editoriais dos grandes veículos de comunicação do país.

A metodologia adotada é crítica e dialógica, articulando exposição teórica com a análise prática de materiais midiáticos, como reportagens, manchetes e imagens veiculadas por diferentes meios de comunicação. Esses materiais são comparados em exercícios de análise de discurso, sempre contextualizados historicamente, desde as primeiras menções ao termo “Palestina” até os acontecimentos atuais.

Francisco Ladeira adianta que pretende oferecer outras formações sobre o tema. "Além da possibilidade de oferecer novamente o curso de extensão, penso também em minicursos, rodas de conversa palestras e, quem sabe, uma disciplina na graduação ou no mestrado na área de Geografia", avalia.

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