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A força das mulheres na ciência
Ana Clara Silva, egressa do IFMG em Betim e estudante de Medicina da UFMG, durante a palestra "Mulheres de Impacto: discussão sobre a trajetória profissional feminina, superação de desafios e o caminho para a liderança"
Pelo protagonismo feminino na ciência e tecnologia, o Campus Governador Valadares viveu três dias intensos, de ensino e aprendizagem, de convivência e esperança para repensar nossa sociedade. Entre 22 e 24 de setembro, centenas de pessoas, entre estudantes e servidores de todos os campi, além da comunidade externa, puderam vivenciar e participar de inúmeras atividades.
O objetivo do Planeta IFMG em 2026 foi destacar a importância da participação das mulheres na construção do conhecimento científico, no desenvolvimento tecnológico e na transformação social. E essa foi a tônica durante todo o evento. Na palestra de abertura, a professora Zélia Profeta, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, foi direto ao ponto. “É mais do que termos algumas leis. É repensar a estrutura da sociedade. É refundar a sociedade. Uma sociedade onde a mulher não é mais objeto. Onde a mulher é igual ao homem e pode fazer o que ela quiser fazer, assim como o homem”.
Essa estrutura, que é misógina e machista, se estende também para a ciência, a filosofia e a própria educação, como enfatizou a professora Sandra Soares Della Fonte, doutora em Filosofia pela UFMG. Ela enfatiza , no entanto, a luta e a resistência das mulheres para ocupar esses espaços ao longo da história. “Esse acesso têm sido proibido a nós mulheres, mas isso não quer dizer que fomos obedientes ou passivas e nós temos que recuperar a história das mulheres insubmissas que foram apagadas. Procurem por Melissa, da esola de Pitágoras, por Hipátia, de Alexandria, procurem por Lélia Gonzales, por Sueli Carneiro. Que a vida dessas mulheres não seja apagada e que as pessoas de bom senso nos acompanhem nessa luta.”
Esperança 
Ao final de sua fala, a pesquisadora Zélia Profeta enfatizou a importância de políticas públicas, como os institutos federais, para a formação de mais mulheres cientistas e deixou um conselho às estudantes: “Estudem muito e estejam sempre conectadas ao que está acontecendo na ciência do país. Ajudem os gestores a pensar políticas públicas, pois precisamos muito das mulheres na ciência”.
A sabedoria nas palavras da pesquisadora se materializou no próprio Planeta IFMG: o nome dela é Ana Clara Silva, egressa do Campus Betim e estudante do curso de Medicina na UFMG. Falando para um auditório lotado, em sua maioria por alunas do Instituto , ela, que foi criada na cidade de Pompéu, contou que descobriu o IFMG após buscar na internet “como estudar de graça em Belo Horizonte”, e como sua vida mudou desde então.
“O IF me preparou muito bem para o mundo da universidade, pois quando eu cheguei lá, vi que não precisava ter tanto medo. Outras pessoas já correram atrás para que pudéssemos estar neste espaço de elite, majoritariamente ocupados por homens e é por isso que temos que lutar tanto para que a gente se reafirme como mulher e mulher negra. Temos que nos reafirmar nesses espaços porque eles são nossos por direito.”
"Sem as mulheres não há nada, não há vida, não há liberdade.” (Profª Katiúscia Ribeiro)
Caminhos
Doutora em Filosofia pela UFRJ, Katiúscia Ribeiro defendeu em sua palestra que a verdadeira inovação caminha de mãos dadas com o respeito à terra, com o respeito à memória, com respeito à humanindade e ao princípio da vida, que é o feminino. Segundo ela, as mulheres devem ser recolocadas no centro de tudo o que envolve nossa sociedade. “ Para que a gente pense um outro modelo de sociedade, que não mate as mulheres, que não mate a natureza, que entenda a importância da relação humana e social advém não mais pelas filosofias ditas “ocidentais” e sim das filosofias presentes nos terrirtórios negros e indígenas. Essas filosofias têm saídas reais para que a gente pense num outro futuro”
Essas saídas, ela afirma, envolvem outros modelos de produção e de tecnologia para promovermos mudanças reais no futuro “ Essa tecnologia precisa entender que as mulheres vêm antes de nós.
Todo o planeta
Para além das palestras, o Planeta IFMG promoveu dezenas de atividades, ancoradas em seus quatro eventos principais: a Mostra de projetos de ensino e os seminários de Iniciação científica, dos Estudantes de pós-graduação e Saberes da exensão. Ao longo dos três dias, também aconteceram apresentações musicais, sessões de cinema, demonstração com óculos de realidade virtual, sessões do planetário móvel, oficinas de slackline e a feira do livro Troco na Troca.
Essa última proporcionou a troca de quase 500 livros entre membros da comunidade acadêmica durante os três dias de evento, com uma regra simples: leve um livro e troque por outro. “ O projeto começou em 2018, no Campus Itabirito, foi ganhando força e quando fui para o Campus Ibirité, iniciamos o projeto lá também. Agora estamos no Planeta IFMG expandindo os nossos horizontes. Nossa intenção é fazer com que a leitura e este espaço de trocas possa ser mais abrangente e acessível para todos e que as pessoas possam trocar e conversar sobre os livros que possuem”, explicou o coordenador da iniciativa, professor Luiz Carlos Fernandes.
Esse planeta, de tantas trocas de ideias e de conhecimento afeta a todos que adentram sua atmosfera. De volta para seus campi de origem, os viajantes carregam memórias do que viveram e também planos para um fututo mais justo, quase sempre embalados num sorriso. Lara Vieira, aluna do curso técnico em Edificações no Campus Congonhas, foi uma dentre tantos outros: “É maravilhoso ver tantas pessoas trazendo uma variedade enorme de projetos, com o objetivo de buscar melhorias. A gente entra num mundo completamente diferente e é muito bom sair da nossa bolha e experimentar coisas novas, tecnologias, ciência… é muito interessante, principalmente com pessoas de lugares diferentes”.
Resultados
Em todas as edições do Planeta IFMG, os trabalhos apresentados durante os quatro eventos principais são avaliados e aqueles com a melhor classificação recebem medalhas, além de menção honrosa. Nesta sexta edição não foi diferente, exceto pela divulgação desses resultados, feita quase instantaneamente logo após o final do evento.
Isso foi possível devido a uma ferramenta desenvolvida pelo professor Carlos Dias, do Campus Ibirité. Trata-se de um sistema web integrado ao SUAP. No momento da apresentação, cada avaliador pode acessar o software pelo celular, utilizando o login do SUAP. Essas informações já ficam registradas diretamente no sistema e podem ser processadas automaticamente.
“A principal diferença é eliminar várias etapas manuais. Antes, era necessário recolher as fichas de avaliação em papel, organizá-las e depois lançar e consolidar as notas. Agora, como a avaliação já nasce em formato digital, o resultado pode ser consolidado assim que concluídas as avaliações”, explica o docente, que desenvolveu a ferramenta especificamente para essa necessidade. O sistema foi construído utilizando Node.js no backend, Vue.js na interface e PostgreSQL como banco de dados. Houve também a preocupação de integrá-la ao SUAP para aproveitar o mecanismo institucional de autenticação, evitando a necessidade de novos usuários e senhas específicos para o sistema”, concluiu.
